Pedido de demissão: quais descontos podem ser aplicados na rescisão
Quando o trabalhador pede demissão, é comum surgir a dúvida sobre quais valores a empresa pode descontar na rescisão. Muitos acreditam que vão receber praticamente o salário integral, mas a legislação trabalhista prevê descontos obrigatórios e legais que podem reduzir o valor final.
Neste artigo, você vai entender exatamente quais descontos podem ser aplicados no pedido de demissão, o que é permitido por lei e como conferir se o cálculo está correto.
Quais descontos são permitidos no pedido de demissão?
No pedido de demissão, o trabalhador não perde todos os direitos, mas alguns valores deixam de ser pagos e outros podem ser descontados.
Os principais descontos legais são:
- Aviso prévio não cumprido
- INSS
- Imposto de Renda (quando aplicável)
- Faltas injustificadas
- Adiantamentos salariais
- Benefícios com desconto em folha (vale, convênio, etc.)
A seguir, explico cada um deles de forma simples.
Desconto do aviso prévio no pedido de demissão
Esse é o desconto mais comum.
Se o trabalhador pede demissão e não cumpre o aviso prévio, a empresa pode descontar o valor correspondente a até 30 dias de salário.
Exemplo:
- Salário: R$ 2.000
- Aviso prévio não cumprido
- Desconto: R$ 2.000
Se o aviso for cumprido trabalhando, não há esse desconto.
Desconto de Imposto de Renda (IRRF)
O Imposto de Renda só é descontado se o valor tributável ultrapassar o limite de isenção.
Normalmente incide sobre:
- Saldo de salário
- Aviso prévio trabalhado
Férias indenizadas e FGTS não sofrem desconto de IR.
Faltas injustificadas podem ser descontadas?
Sim. Se o trabalhador teve faltas injustificadas no mês da rescisão, a empresa pode descontar os dias não trabalhados do saldo de salário.
Adiantamento salarial e outros descontos permitidos
Também podem ser descontados:
- Adiantamento de salário
- Vale-transporte (quando há previsão contratual)
- Convênios médicos ou odontológicos
- Empréstimos consignados
Desde que esses descontos estejam previstos em contrato ou autorizados pelo trabalhador.
O que NÃO pode ser descontado no pedido de demissão?
A empresa não pode descontar valores abusivos ou sem previsão legal, como:
- Multas sem previsão contratual
- Quebra de contrato sem cláusula específica
- Ferramentas, uniformes ou equipamentos, salvo acordo formal
Descontos indevidos podem ser questionados judicialmente.
Quais valores o trabalhador ainda recebe no pedido de demissão?
Mesmo pedindo demissão, o trabalhador tem direito a receber:
- Saldo de salário
- Férias vencidas + 1/3 (se houver)
- Férias proporcionais + 1/3
- 13º salário proporcional
O que ele não recebe:
- Multa de 40% do FGTS
- Seguro-desemprego
- Saque do FGTS (em regra geral)
Como calcular corretamente a rescisão por pedido de demissão
Para evitar erro ou desconto indevido, o ideal é simular o cálculo completo da rescisão considerando salário, tempo de empresa e aviso prévio.
Use a calculadora abaixo para saber exatamente quanto você vai receber:
Calculadora de Rescisão por Pedido de Demissão
Calculadora de Rescisão por Pedido de Demissão
Como saber se os descontos da rescisão estão corretos?
Após receber o pagamento, confira o TRCT (Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho) e verifique:
- Valor do aviso prévio descontado
- INSS e IR aplicados corretamente
- Férias e 13º calculados proporcionalmente
Se houver divergência, o trabalhador pode buscar orientação.
Quando procurar ajuda profissional
Se o valor pago for diferente do esperado ou houver atraso, o trabalhador pode procurar:
- Sindicato da categoria
- Advogado trabalhista
- Contador especializado
Esses profissionais podem revisar o cálculo e orientar sobre possíveis direitos.
Entender quais descontos podem ser aplicados no pedido de demissão é essencial para evitar surpresas no valor da rescisão. Aviso prévio não cumprido, INSS, Imposto de Renda e faltas injustificadas são descontos previstos em lei, enquanto cobranças abusivas não podem ser aplicadas. Conferir o TRCT e simular o cálculo da rescisão ajuda o trabalhador a identificar erros e proteger seus direitos. Em caso de dúvida ou divergência, buscar orientação profissional é a melhor forma de garantir um pagamento correto e dentro da legislação trabalhista.




